No passado domingo, o Diário de Notícias dá novamente destaque à intervenção de arqueologia que decorre no Convento de S. Francisco em Coimbra, sublinhando o interesse da autarquia e da diplomacia francesa nos diversos vestígios arqueológicos identificados.
Os trabalhos de arqueologia preventiva que têm vindo a ser realizados no local desde Dezembro de 2010 no contexto das obras de recuperação e adaptação do Convento permitem compreender a evolução deste espaço da cidade desde momento anterior à construção do próprio edifício religioso.
As evidências mais significativas correspondem a uma necrópole de inumação colectiva em que os esqueletos evidenciam características próprias de uma população seleccionada, cuja relação entre diagnose sexual, robustez, idade à morte, vestuário e lesões degenerativas (indicadoras de prática prematura e continuada de actividades fisicamente exigentes) permitem a sua associação a corpos militares.
Este espaço terá, então, funcionado como cemitério para os militares internados nos hospitais militares instalados nos Conventos de Santa Clara-a-Nova e S. Francisco durante as invasões francesas e guerras liberais.
Porém, a área já teria uma vocação sepulcral anterior, com enterramentos individuais em torno da capela de S. João Baptista, entretanto arruinada e que também tem vindo a ser colocada a descoberta no decurso desta intervenção de arqueologia.
Assim, graças a um rigoroso protocolo de recuperação contextualizada dos vestígios arqueológicos, antropológicos e da informação associada, abrem-se novas perspectivas para a compreensão do sítio arqueológico do Convento de São Francisco, cada vez mais fundamental para o conhecimento dos movimentos sócio-políticos e militares na região centro do país durante o conturbado início do séc. XIX português.
Os resultados desta intervenção justificam a prossecução da investigação segundo um questionário científico que pretenda a sua integração numa problemática global e transdisciplinar.